Atualmente, a refrigeração artificial nos cerca em praticamente todos os ambientes que frequentamos, e sua praticidade tão necessária já é dada como certa em nosso cotidiano.

Possuímos geladeiras em casa e podemos tomar bebidas refrigeradas com o simples abrir de uma porta; compramos alimentos congelados e os mantemos conservados para consumir quando for conveniente; temos gelo disponível em qualquer estação do ano. Há quem abra a geladeira só pra dar aquela refletida dramática sobre as questões do dia a dia…

Com todas essas funcionalidades tão presentes e acessíveis, você já parou para pensar em como era a vida antes dos refrigeradores? Já se perguntou sobre a origem e trajetória desse eletrodoméstico tão útil e familiar?

Curioso? No post de hoje, então, contaremos quando, como e por quem a geladeira foi criada, como funcionava o dia a dia das pessoas antes da refrigeração artificial, como eram os primeiros refrigeradores elétricos e qual o papel de nossa amada cerveja em tudo isso.

Vem com a gente!

Os protótipos da geladeira

Algumas formas de refrigeração artificial já eram conhecidas desde o século XVIII, mais ainda não se sabia como transformá-las em equipamentos que pudessem ser utilizados em larga escala. A história da geladeira que conhecemos hoje é longa e tem muitos personagens.

No ano de 1748, na Universidade de Glasgow, o britânico Willian Cullen tornou-se o primeiro cientista a demonstrar um sistema de refrigeração artificial, mas nunca elaborou um plano para que fosse usado de maneira prática.

O responsável por esse feito foi o americano Oliver Evans, que em 1834 criou a primeira máquina prática para refrigeração. Seu equipamento também foi o primeiro a usar vapor ao invés de líquido refrigerado.

Uma década depois, o médico e inventor americano John Gorrie utilizou uma versão sofisticada do refrigerador a vapor para produzir gelo e refrescar o ar de pacientes com febre amarela. Era a primeira aplicação da geladeira na medicina, que transformaria para sempre esse importante âmbito da ciência. 

E tudo termina em: cerveja!

Finalmente, nos aproximamos de algo que se assemelhe à geladeira que temos em casa. Em 1857, o australiano James Harrison foi contratado por uma empresa alimentícia para criar o primeiro dispositivo de refrigeração capaz de conservar alimentos. O objetivo era utilizá-lo para produção da adorada cerveja. A máquina foi um sucesso e mudou os processos da indústria.

Em 1857, foi construído o primeiro vagão de trem refrigerado para transporte de carnes, em Chicago, o que revolucionou o comércio de alimentos. A este ponto, o equipamento já chamava a atenção de desenvolvedores para que pudesse ser utilizado em casa, conservando itens perecíveis para o consumo familiar. Foi em 1913 que o mundo viu o nascimento do primeiro refrigerador doméstico.

O Domelre foi a primeira geladeira feita para ser utilizada em casa, produzida em massa e vendida às centenas pelo território americano. Seu nome é um acrônimo para DOMestic ELetric REfrigeration, dado pelo seu inventor, Fred W. Wolf Jr. A intenção era criar um equipamento compacto, montável e fácil de plugar a qualquer tomada. 

Um modelo posterior de muito sucesso foi o Monitor-top, da General Eletrics, lançado em 1927. Esse refrigerador produzia tanto calor em seu compressor que a peça ficava posicionada no topo do eletrodoméstico, protegida por uma capa. Mais de um milhão desses aparelhos foram comercializados. 

Vida antes da refrigeração elétrica 

A invenção e popularização dos equipamentos de refrigeração transformou a maneira com que consumimos e comercializamos alimentos, revolucionou o mercado de trabalho e os processos da medicina. É considerada uma das mais importantes invenções da humanidade

Para entender, imagine: em climas amenos – algo em torno dos 25° C – a carne dura poucas horas sem refrigeração. As frutas, um pouco mais resistentes, apodrecem em alguns dias. Nos tempos em que o refrigerador não existia, a nutrição das famílias estava restrita às condições duras impostas pelo clima. Afinal, como vivemos até o século XX sem refrigeração doméstica? 

Nos países de clima frio, o gelo podia ser buscado em lagos congelados ou fontes locais. As famílias costumavam usar caixas de gelo para conservar alguns alimentos menos perecíveis, por menos tempo do que fazemos hoje.

Em geral, leite, verduras e frutas eram comprados e consumidos imediatamente, o que exigia insumos sempre frescos. Carne e peixe enlatados eram recursos valiosos nos tempos em que não havia refrigeração, assim como as conservas e compotas.

As maiores dificuldades para a nutrição encontravam-se nos países de clima tropical. No Brasil, por exemplo, a carne era mantida na banha ou sal, conservantes naturais. Verduras eram compradas para o dia e passavam a noite no sereno, para não murchar.

A carne seca, ou charque, podia durar semanas. A água é um dos principais elementos responsáveis pela decomposição, por isso o material era salgado e posto para secar ao sol, permanecendo seguro para o consumo. Carne fresca, mesmo, só podia ser consumida assim que se abatia o animal. 

Para garantir reservas alimentícias, as famílias armazenavam grãos secos, como o arroz e o feijão. Em tempos de dificuldade, os itens frescos eram os primeiros a faltar na mesa, empobrecendo drasticamente a ingestão de vitaminas importantes.

Como as geladeiras mudaram a história

As geladeiras domésticas revolucionaram a nutrição das famílias, contribuíram para a emancipação feminina e aqueceram o comércio de alimentos, que agora podia vender insumos perecíveis em maior volume.

A refrigeração artificial ainda possibilitou a exportação de frutas e carnes, criando do zero todo um mercado sem o qual já não imaginamos mais viver. Na medicina, possibilitou a conservação de princípios ativos importantes e muito delicados, que salvam vidas até hoje.

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